quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Esta casinha simpática da fotografia é pra avisar que estou de casa nova: Dêem uma olhadinha no novo blog! Ainda não sei o que farei pra manter os dois (e nem se vou conseguir), mas não tive coragem de por um fim no liplixtibum...

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Contação de Histórias


Foi no começo de uma noite curitibana que o ator e contador de histórias Guga Cidral abril sua caixa de mágicas para dar voz ao menino Tonho, personagem central do Quem tem medo do Mapinguari?. Acompanhado de Paula, Guga conduziu crianças e adultos pelos caminhos da floresta, com seus barulhos, bichos e mistérios. E quase me fez esquecer do medo que sinto dessa história de sessão de autógrafos! Em Porto Alegre, dia 12 de Agosto, tem mais...


domingo, 25 de maio de 2008

A preguiça


O bicho-preguiça é esperto,
leva a vida muito mansa:
não tem pressa, dorme em árvore
e, tranqüilo, enche a pança!

Dos galhos onde se deita
ele vê a tarde manhosa
e numa frase-poema, diz:
Ai, que preguiça gostosa!

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Em junho, nas livrarias:


Quem tem medo do Mapinguari?

Vássia Silveira
Ilustrações de Ciça Fittipaldi


Editora Letras Brasileiras

www.letrasbrasileiras.com.br

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Samaúma

Van Gogh



Quem já viu uma semente
que parece um algodão?
voa longe, voa alto
e se espalha pelo chão.

E raízes de poemas que
parecem teias de aranha?
são chamadas sapopemas
e conseguem uma façanha:

Sustentam no ar os galhos
leves ao vento, pluma
de uma árvore encantada
que se chama Samaúma.




quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Liplixtibum


Uma fada sussurrou no meu ouvido: liplixtibum. Eu nunca tinha escutado esta palavra antes e a fada, depois de me acordar, saiu voando pelo quarto sem me dizer o que significava liplixtibum.

Fiquei com a palavra na mão e resolvi guardá-la numa caixa sem tampa.

Mas a palavra escapou da caixa e foi parar na boca de um besouro que cochichou para as flores:
liplixtibum. Elas ficaram encantadas com a sonoridade do que ouviram e para agradá-las, o besouro separou a palavra e a distribuiu entre as pétalas de margaridas, petúnias e violetas.

E numa tarde de primavera vieram as abelhas, que cataram as sílabas e levaram para casa os pedaços da palavra...

A abelha-rainha, enfastiada de mel e sono, ao ver o presente saiu dançando e cantando pela colméia:
liplixtibum.

Depois da festa, o mel escorreu pelo tronco da laranjeira e seu perfume era tão adocicado
que a dona do quintal resolveu antecipar a colheita. E enquanto juntava o mel, viu lambuzada, no fundo do pote, a palavra
liplixtibum.

A boa senhora correu para mostrar à neta silenciosa, a palavra dentro do pote. A menina arregalou os olhos ao sentir na ponta dos dedos liplixtibum. E como se todas as palavras morassem em uma só, começou a falar sem parar. E tanto falou que um dia ouvi no vento uma de suas histórias:

“Uma fada sussurrou no meu ouvido:
liplixtibum. Eu nunca tinha escutado esta palavra antes e quando ia perguntar o que significava, a fada saiu voando pelo quintal. Fiquei com a palavra grudada na mão e resolvi guardá-la numa caixa até descobrir o que era. Mas a palavra escapou da caixa e...”

...O vento parou de repente, sem contar o resto da história - que espalhou-se pelo reino das fadas!

E até hoje é lá, onde vivem as palavras mágicas, que esta e outras histórias esperam. Esperam pela boca de um besouro ou de menina. Esperam por alguém que procure o significado de
liplixtibum.


terça-feira, 26 de setembro de 2006

A cozinha


Henri Matisse

A cozinha da minha avó
é toda vermelha e charmosa
tem gato, cachorro, papagaio
e tudo que a gente mais gosta!
Tem doce de abóbora e coco
chocolate quente e biscoito
Tem brincadeiras, histórias
e até assombração!
A cozinha da minha avó
cheira a doce diversão...

domingo, 10 de setembro de 2006

Os amores do piolho


Henri Matisse

Minha mãe diz que piolho não gosta de banho. Eu também não gosto muito, mas vivo tendo que tomar. Principalmente por causa dos piolhos: minha mãe diz que piolho em cabeça de Cascão vira criação de boi.
Eu não sei bem porque ela chama piolho de boi. Mas todas às vezes que começo a coçar a cabeça e ela vai me catar, sai gritando: Meu Deus, que boi! Tenho vontade de rir vendo a minha mãe balançando a mão e fazendo cara de nojo pra dar cabo do piolho. Mas se caio na besteira de fazer isso, levo uma baita bronca:
- Não sei que graça você vê! Devia se envergonhar, tamanho uma mocinha e com esses bois na cabeça!
Minha mãe até diz que é normal pegar piolho na minha idade, principalmente na escola. Mas essa história de boi, ela não engole não:
- Isso é coisa de moleque que não toma banho direito!
Outra coisa que deixa ela brava é que sempre esqueço de passar o pente-fino quando vou final de semana para a casa de meus avós. É sempre assim: volto na segunda-feira de manhã e quando ela vai me catar, fica tiririca se encontra os tais bois. Eu até tento explicar, mas...
- Desse jeito, os bois vão tomar conta da sua cabeça, menina!
Minha mãe diz que piolho a gente só acaba se tomar muito cuidado porque ele não anda sozinho. Ele tem a lêndea pra fazer companhia (Ela disse que a lêndea é o “ovo” do piolho, mas não soube me explicar quem nasce primeiro: se o piolho ou a lêndea).
Pelo que eu entendi da conversa, a matemática do piolho funciona assim: uma lêndea bota um piolho. Mas um só piolho pode botar um montão de lêndeas que depois botam um outro montão de piolhos - E aí vem a “criação de bois” que a minha mãe tanto fala!
Eu não contei ainda a ela o que acho a respeito dessa história de criação. Mas a minha teoria é que o problema todo está no amor que os piolhos sentem pelos cabelos. Com tanto amor, é fácil de imaginar como as coisas acontecem. Basta um piolho apaixonado: ele vai namorar o cabelo, fazer outros piolhinhos, e pronto! A cabeça fica cheia de bois de novo...
Será que a minha mãe nunca pensou nisso antes?

sábado, 26 de agosto de 2006

O lápis lilás

Emma Thomson

Hoje acordei à procura de um lápis lilás. Quero pintar dessa cor, as estrelas. Pensei em fazer o mesmo com a metade do céu, no fim da tarde. Aí vou vestir minhas meias com listras laranja – só pra combinar com a bola de fogo amarelo-morrendo-morrendo, pendurada lá no horizonte – e pedir sorvete de uva ao sorveteiro.
E se não tiver de uva? Ora, peço flocos, tiro meu lápis lilás da bolsa e pinto o sorvete de uva, uvinha lilás-meio-violeta. Daí vou jogar petecas amarelas no parque e fazer força, mais muita força mesmo pra não sair usando meu lápis nas flores e plantas dos jardins...
Pintarei somente os bancos: de rosa-espantado. Acho que essa cor cai bem num céu meio lilás.

domingo, 6 de agosto de 2006

Carneirinhos

Rob Scotton

Quando o sono não vem a minha mãe diz pra mim:
“conte carneirinho que logo, logo você dorme...”


Eu sei contar
carneirinhos:
vou até o cem
com todos pulando
a cerca bem juntinhos.

Mas acho que tiro
o sono desses
pequenos bichinhos

Pois de tanto contar
carneirinhos
ficam sem tempo,
os fofinhos

E andam nos
campos
quietinhos
com muito sono,
tadinhos...

Então eu digo
baixinho:
Não pula a cerca,
bichinho - vai tirar
um
cochilinho...


quinta-feira, 27 de julho de 2006

As asas

Rachel Deacon
A vaca, o porco e o pássaro
saíram pra passear:

A vaca queria o pasto
o porco só o chiqueiro
e o pássaro, que nem ligava,
seguia todo faceiro

Subiram um campo com flor,
e a vaca encantada ficou!
Mas o porco, irritado,
logo, logo reclamou:

Ai, meu Deus, mas que fedor!

E vendo armada a confusão,
o pássaro, que não gostava de briga,
tratou de abrir as asas
e estufar a barriga:

se a vaca vai pro brejo
e a porca torce o rabo
não sou eu, com minhas asas,
que fico pra pagar o pato!

domingo, 23 de julho de 2006

Amor de Libélula

Will Rafuse
A libélula disse:
que belo
é o libélulo!
Que disse pra
libélula:
que bela
libélula!

E aí voaram
juntos,
num belo par,
as libélulas.

segunda-feira, 17 de julho de 2006

O sonho azul

Pintura de Henri Matisse

Eu tive um sonho azul
como as paredes
da casa de minha avó

Azul clarinho
como o vaso da janela
onde pousam as margaridas

Tão azul que o céu pareceu
pequeno e o mar
um risco num papel sem graça

Eu tive um sonho azul
E acordei assim,
todo azulado!

quinta-feira, 13 de julho de 2006

Gato malhado

Will Rafuse

Eu tenho um gato
malhado
que adora andar
no telhado

Em noite
de lua cheia
meu gato se
despenteia

E sobe faceiro a
janela, olhando
pra fora dela...

Ta lá, o telhado
brilhando...

E o gato
num pulo, miando,
me deixa sozinha,
pensando:

que gato malhado
e danado! - adora
andar em telhado...


domingo, 9 de julho de 2006

O nariz de Anaís

R.Cosimi

Descobri que roubar nariz é a minha especialidade...

Gosto de pegar e esconder na mão o nariz de Anaís. O de Clara não dá mais, não! Cresceram os dois, Clara e seu nariz. E quando crescem os narizes, as crianças deixam de acreditar que podemos tirá-los do rosto e guardá-los em nossas mãos.

Acho isso uma pena, pois não há nada mais divertido que apanhar um nariz emprestado por alguns minutos. Faço isso com a pequena Anaís: junto o mata-piolho e o fura-bolo, puxo o nariz com jeito, escondo-o na concha da mão e depois digo que vou tirar só um pedacinho, porque é muito gostoso “comer” nariz!

(No começo ela não gostava, não. E todas as vezes que tirava dela o nariz, era a maior confusão! Tinha que devolver rapidinho. E se ficasse torto, eu que tratasse de arrumá-lo como sempre esteve: no meio do rosto, empinadinho.)

O nariz de Anaís tem o gosto de ambrosia e é molinho, molinho. Só que também está crescendo e logo, logo será como o de Clara: coladinho de tal maneira que não há dedo que o consiga tirar do lugar.

Por isso, sempre que posso, pego um pouquinho o nariz de Anaís...

Como disse antes, descobri que esta é a minha especialidade: roubar narizes. Acho que é porque me lembram cogumelos - e eu adoro cogumelos!




quarta-feira, 5 de julho de 2006

A boneca bailarina

Fotografia de Cameni Silveira

Extrapulina é a minha boneca
de estimação. Quem deu esse
nome a ela não fui, foi meu irmão.

Ele diz que Extrapulina é
uma “menina-extrapola”

Mas lá em casa não dão bola
se pergunto: “que menina
é essa, agora?”

Extrapulina é uma boneca fina
e não fossem as pernas quebradas,
seria até bailarina!

Mas olha só que descuido:
um dia eu estava no campo
correndo com a minha menina .

Foi quando deu a vontade
- mas uma vontade malina -,
de amarrar a Extrapulina!

Peguei uma corda no canto
e amarrei a boneca,
brincando...

Suas pernas já estavam fora,
e nem pensei que sofria –
Mas ai, que susto, meu deus! –
Ela chorando dizia:

Por que tanta crueldade
com a tua Extrapulina?
Olha só que eu ainda queria,
queria ser bailarina.


terça-feira, 4 de julho de 2006

O rato

Arte de Gerrit Greve

Em Roma
o rei
o rato
a roupa

A roupa o rato roeu

Roeu o rato,
o rei da roupa
o rei de Roma

(O rato roeu a roupa do rei de Roma)


segunda-feira, 3 de julho de 2006


Liplixtibum é uma explicação da terra”
(João Câmara, 7 anos, sobre Liplixtibum)

domingo, 2 de julho de 2006




Liplixtibum:

Acabo de inventar
esta palavra.
Veio assim, do nada.
- E do nada ficou.

Ficou grudada na minha cabeça
como um sino de igreja tocando:

Liplixtibum...
Liplixtibum...
Liplixtibum...


E o que quer dizer liplixtibum?

Liplixtibum...
Liplixtibum...
Liplixtibum...